Aaah, a nobre arte do escrever! quão magnânima é essa habilidade! desde pequeno, eu sempre gostei muito de ler, e quando eu lia poesias, eu me lembro que eu pensava: " nossa, como é que alguém consegue escrever uma coisa assim, tão intensa?" Ainda sorrio me lembrando do quanto eu era ingênuo nessa época...
Depois, com o tempo, me veio a verdade: a poesia, por si, é uma expressão da alma daquele que a compõe. por isso é possível que aquele cara que faz poesias do tipo: " no fundo de seus olhos, percebo a real significação do viver, pois no teu olhar vejo vida e etc. etc; de repente faça uma coisa do tipo: " e quando a morte vier e me retirar desta vida, olharei as folhas lúgubres e ressequidas e direi: mundo insano! chorarás na agonia dos teus filhos, ó escrúpulo inominável da existência denominada viver!"
eis a missão do poeta: agir como se a folha fosse uma psicóloga. transcrever seus sentimentos, através de um olhar sincero ao seu interior, e usar as palavras de tal forma que o leitor se identifique com ela (a poesia em questão). e enfim, quando me dei conta desta missão, percebi que seria nobre de minha parte tentar enveredar por esse caminho. tentei e comecei a fazer pequenos garrunchos, que nada mais eram do que as tentativas frustradas de um menino de onze anos ao tentar impressionar a menina da qual ele gostava. ( que coisa inocente, rapaz!) mas como nem mesmo a garota dava bola pra esses textos, eu posso aqui dizer que eles não eram dignos de serem chamados poesias.
porém o tempo passa. o garoto continua firme estudando, lendo e assim, ampliando o seu acervo léxico, até que um dia, sem que ele se dê conta, ele é o cara mais elogiado por todos os professores de português e literatura do colégio. (modéstia a parte...) então aquilo que antes era cômico, passou a ser um trunfo para ele, pois depois meninas pediam cópias de suas poesias - não se sabe ao certo pra que, poderia ser pra pensarem em outros caras, mas enfim... - para guardarem, e isso permitiu a ele tirar dessa sua arte algum proveito.
olhando essa breve narrativa, vocês tem nas mãos o que eu fui durante um bom tempo. dá pra ver que não fui nenhum fenômeno, mas ainda possuo esse gosto para poesia. tentarei aqui jogar uma delas... espero que fique boa:
Atemporal
aos dias que passam e as noites que vem,
momentos etéreos dedico aqui,
ao ver se me lembro ao menos de alguém,
que estava comigo, bem perto de mim...
o fácil me é nessa hora lembrar.
difícil contudo, é o imaginar
sobre o que falarei, deus, por fim?
direi que a vida é coisa intrigante!
bastante diversa das regras que sei!
pois inominável é o fato gritante
que as pessoas mudam, e eu mesmo mudei!
se nem mesmo eu posso ser tão constante,
por que o seria essa vida errante,
da qual até já me cansei?
estradas diversas existem no mundo...
nas quais muitas vezes, olhamos e vemos
pessoas que andaram conosco, contudo
de súbito, olhamos de novo e o que temos?
olhares altivos, agora são mudos...
ouvidos atentos, agora já surdos...
meu deus, quando foi que os perdemos?
a vida assim flui, e nos deixa a lição:
pessoas? ah, mudam! com toda a certeza!
tão irredutíveis as vezes, o são
esses indivíduos de rara beleza...
que nos surpreendem com decepção,
deixando em pedaços qualquer coração...
causando intensa tristeza!
desde que conheço pessoas, eu vi
que muitas das vezes podemos errar...
as vezes não vemos verdades que enfim,
depois de um tempo, vem nos machucar.
se em tantas dores palavras eu li,
e noites insones perdi sem dormir...
porque devo acreditar?
hoje, já acredito em poucos que sei...
que estavam comigo e estão hoje aqui.
lhes peço desculpas se as vezes errei...
e lhes agradeço das vezes que ri!
se em tantos momentos da vida chorei...
deus me deu o riso que em "ti" encontrei...
obrigado por existir!
- sem fim -
Dedicado a: Thamara Falcão.
obrigado, guerreira!
pois gente, é isso... louco, né? nas próximas postagens eu vou me arriscar a colocar aqui outras poesias de minha autoria. espero que vocês gostem.
valeu, gente, fui!
:)
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